Então me vejo cercada de um vazio imenso
Que ocupa os não tão tênues vales do meu sofrer
Dando corpo a um sentimento de não sei o quê
Que chega de repente e sai sem se fazer perceber
O marasmo ataca novamente
Impregnando as entranhas tristes do meu eu
Parece que vai ser pra sempre
Parece que já não tenho um parecer
Parece que é somente aquilo que aparenta não ser
No embaraço de uma mente confusa
Palavras avulsas ganham materialidade
E tingem o papel branco e imenso
Com uma total liberdade, ousadia e espontaneidade
Como peças colhidas na construção de um belo jardim suspenso
Suspendam agora minha bebida
O fluido suave e tinto que me permite divagar
Que me transforma em artista, ou ainda numa bela vista
Que emoldurada janela (estática e “na dela”)
Coloca-se a me admirar e suspirar bem devagar
Outro tempo começou
Agora tudo é paz, tudo é beleza
Adeus pra ti tristeza
Saudades não vai mais deixar
Mas eu sei que um dia ainda volta
Desenterrando a minha inocente dormência
Reavivando com força a minha revolta
Trazendo a tona minhas vivências
E fazendo da saudade sua fiel escolta
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