Roubaram meu GPS
Perdi o rumo, o prumo
e minha localização no espaço
Senti-me frágil e insegura novamente
Temi arriscar-me em demasia
E não mais saber como voltar
Frequentava apenas os mesmos lugares
Aqueles denominados “favoritos”
E voltava, com medo, cedo
Perdi casamentos, batizados e chás de bebê
E os bolos de aniversário que tanto aprecio
Desculpei-me veemente, embora consciente
Da inconsistência de minha desculpa
Aceitavam-na incrédulos
- “Talvez ela tivesse outro compromisso”
- “É impossível errar esse caminho”
Porém, eu não me esforçava em mudar
Olhava mapas, as estrelas e bússolas
Para mim não passavam de códigos
Incompreensíveis e abstratos
Pois, bitolada que sou, pouco consigo enxergar o amplo
Espero que aquele que roubou meu GPS
O utilize com cautela e sabedoria
Que o aparelho o ajude a se localizar
Em todas as acepções da palavra
Pois mais que um eletrônico
Ele foi para mim um meio de lição
Árdua e paulatina de que a vida
E ela por si só, merece mais atenção