sábado, 24 de dezembro de 2016

Risco preciso



“[...] Viver é risco preciso
Verbo transitivo estranho [...]”
(Itamar Assumpção)

Entrecortando o cenário
Entra aquele, o imaginário
Que te faz pensar: será?

E nessa dúvida metódica
Tudo é incerto, nada sobra
Se eu sei, não sei, sei lá

O terreno movediço
Não sei se real ou se postiço
Só nos resta enfrentar

Dar uma chance
Se permitir
Cair de boca
Ou só cair

E como Vinícius já dizia:

Sair de dentro de si

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Texto de meu saudoso avô Jaime

Ode à minha amada


Zoraide,
        
         Assim que te vi pela primeira vez, você ainda era uma criança e pensei cá comigo: Ali está a mulher da minha vida, minha eterna companheira.

         Vejo como num sonho que de outra existência já conhecia esta que seria a mãe dos meus filhos. Filhos estes que eu já amava antes mesmo de nascerem, tidos com essa mulher incrível que me permitiu realizar um grande sonho: o de ser um jovem pai.

         Dez de abril de 1964: data em que completaria 21 anos, casei-me contigo e essa decisão foi, sem dúvidas, o meu maior acerto. Tenho consciência de que não lhe dei a vida que merecia. Às vezes nossa juventude nos leva a cometer erros, momento em que deixamos o céu por ser escuro e caminhamos ao inferno a procura de luz.

         Porém hoje, amada, vejo que nada seria sem tua presença e apoio a cada momento. És o único espelho que quando estou triste olho e me vejo sorrindo. Só tenho a agradecer a Deus, por ter me dado esse presente que, entre tantos outros, foi um dos melhores que Dele já recebi.

                                                                           Do seu admirador eterno,

                                                                                  Jaime Resende Magalhães

sábado, 1 de outubro de 2016

ESPELHO


De mim já não tenho mais que metade
Vivo em busca do que nunca fui
Nem me reconheço na identidade
Que idade foi essa em que me perdi?

Ou me encontrei?
No alento de um abraço vazio
Ou num sorridente olhar
No horizonte que me trouxe o frio
E levou o aconchego daquele lugar

Mas eu não se devo ir
Nem ao menos se sei chegar
Tenho aos pés os passos
Todos meus espaços
Vagos a espera de ocupar

Um lugar que sempre foi meu
Aquilo que habita em mim
E do âmago a força surge
Brilha, brota, intensa, revolta
Resoluta
Firme
Diferente

E pelos traços e trejeitos
Noto que já sou uma versão

De mim

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Error 707

Tudo guardado
Eu acumulo
Vou ao subsolo
E num rompante... pulo

A superfície é densa
O ar me impregna
O assimétrico cansa
E o belo estagna

Incrédula estou
Não sou
Não quero ser
Ainda há o que esperar
Ainda resta o meu querer

Em um loop
Que não quero infinito
Silencio meu grito

Passos tímidos
É o que tenho a oferecer
(Pouco a pouco)
Vou mudando meu andar

Dirimindo meu sofrer