Minha dor é não saber
Nem mesmo o que vou escrever
É perceber que certeza não há
E querer se agarrar ao ar
Trepido frente ao perigo
E um temor me persegue:
de que a máxima: “quem
persiste, consegue”
para mim não faça sentido
Persistir em quê? Qual o meu desejo?
Objeto indireto e obscuro
Não sei ao certo como o procuro
Sei que desvio, porém pelejo
Encontrá-lo é minha meta
O resto é mero meio
De sustentar a minha busca
Muito mais torta do que reta
Mas nesse meio tempo agoniante
Para amenizar a minha ansiedade
Encontro na criação um instante
De descoberta, plena liberdade.
Que me acalente o chegar da idade.