domingo, 8 de novembro de 2015

Head over feet


Sente-se aqui
Ao meu lado
E veja o lado bom do querer

Sinta o meu peito
Cansado, surrado
Que insiste arduamente em bater

E traga consigo essa vivacidade
Essa ânsia em se melhorar
Inspire-me e me surpreenda
Instigue-me a repensar

A livrar-me de conceitos prontos
Frases prontas e sem efeito
E lembre-me de que nada é tão imutável
Que não possa ser desfeito

O novo assusta, afugenta
Mas é como tudo um processo
E quem quiser amar, crescer, tenta (e aguenta).

Que a recompensa virá travestida de sucesso

sexta-feira, 19 de junho de 2015

E o que vem?

E o que vem? O que vem de lá?
Traz consigo uma beleza displicente
Desarrumada, atraente
Dispersa e devagar

Mas isso eu quero já pra mim
Sem demora, sem rodeios
E isso eu quero mesmo assim
Quero agora, por inteiro

Porém algo me freia
Me barra e faz pensar
Será que é só amor o que se tem pra dar

Eu faço um alvoroço
Do ato mais sutil
Confundo o interesse de quem é gentil

E tudo porque eu espero por algo que nem sei
Um acidente, um eclipse solar ou lunar
Pelo planejado milimetricamente

E que não dá espaço ao irregular

domingo, 26 de abril de 2015

(RE)CORRENTE


Há quanto tempo não te vejo
E você ainda causa em mim
Uma reação, um lampejo
Não sei se bom ou se ruim

As paixões ardentes e intensas
Com o tempo se amenizam
Agora etéreas, antes densas
Enfurecem, tranquilizam

Já vaguei noutros caminhos
Conheci novos lugares
Passei por alguns espinhos
E fui alvo de olhares

E volta e meia ainda  me vejo
Pensando no “Como seria?”
E se sucumbíssemos de desejo?

E se não partisse à revelia?

Satisfação

O tempo passa rápido
E eu tenho que passar também
Passar de fase
Passar em um concurso
Passar o dia na esperança de tempos melhores

Mas o tempo melhor é senão o agora
Repleto de possibilidades
Limpo, claro e seu
Aproveitá-lo é a obrigatoriedade
De quem intenta viver bem

Jeito a gente dá
Desculpa a gente arranja
Mas assim só se posterga
Procrastina...
(...)
E ligando o automático
Passamos a viver não o que queremos
Mas o que querem por nós
O que sobra
O que resta
Noves fora

E aí? Tá bom?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Candelária Barrocal

"Cuida bem da/ Tua forma de ser/
Que amanhã o dia vai ser/
Diferente de outro dia"- Tulipa Ruiz


Hoje partiu uma flor, uma rocha
Que me mostrou o que é ser forte e sutil
Que possuía em si a imensidade
Da alma pura, firme e gentil

Ser sua neta foi para mim motivo de orgulho
De gradativo melhoramento moral
Mas ontem foi chegado o seu tempo
Inevitável, doído, mas nem de todo mal

Libertou-se enfim Candinha
De dores físicas, impaciência e incertezas
Encontra-se agora amparada, protegida
Tanto por aqueles que já se foram
Quanto pelas preces dos ainda em vida

O conforto à família só o tempo trará
E com ele as lembranças boas que permanecerão
Com certeza sua mãezinha está agora a te embalar

E vó, te amo, viu? Um beijo no seu coração.


                                                                                                                                   
   08/01/15