quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Ao meu avô Elísio

Sempre tinha no bolso uma "pratinha"
Amava um dominó
Veio de longe, lá da Bahia
Mas nunca esteve só

Fanília grande ele tinha
E sendo dos filhos o primeiro,
Era mais cobrado, como costumeiro
E trabalhou desde muito cedo

Viu Candelária e dela se enamorou
Sem demora, logo casou
Cinco filhos: uma moça e quatro rapazes
Encheram de luz e vida essa união

Após, com a vinda dos netos
A seriedade foi abrandada
Todos caiam na gaitada
Com as suas traquinagens

Primeiro se foi sua esposa
Deixando uma enorme saudade
Que nem todo passar da idade
Deixará amenizar

Agora se vai Elísio
No ciclo da vida sem dó
Vai o homem, ficam as memórias
Mas saiba, o senhor nunca estará só.

 



terça-feira, 30 de julho de 2019

Me edite

Vamos abstrair
Tirar uma foto
Sorrir
Comer um novo prato
Sushi
Viajar nos pensamentos
Havaí

Lembrar da abstrata leveza
Dos tempos de outrora
Que no momento não o foram
Mas o são agora

Inspirar
Expirar
Meditar 

Revisitar as flores
O andar dos coadjuvantes
Os moinhos de Cervantes
Esmaecer as dores


domingo, 23 de junho de 2019

O ônus da idade

Escolhas são feitas
Conscientemente ou não
Basta estar vivo
E todas as suas atitudes
Se tornam decisão

Algumas tranquilas
Outras nem tanto
Trazem o pranto
A incerteza triste
Que sente quem existe

Mas não sejamos pessimistas
Tudo é experiência
O ônus da idade
O certo é pedir ciência
Pois elas são de nossa exclusiva
Responsabilidade


sexta-feira, 24 de maio de 2019

Imagine

"O real chapa"
Já dizia o mestre Waly
Mas a imaginação, meu chapa
Essa é bonita
Infinita
E não se limita à finitude daqui

A realidade é dura
Cobra prazos
Exige atitudes

Mas para mim
A maior virtude
É a de quem, apesar de tudo
Vê beleza no cotidiano

Sejamos, pois, observadores
Saibamos imaginar
Para amenizar as dores
Das contas a pagar




domingo, 17 de março de 2019

A jornada da heroína

É duro o embate
Entre produzir
Se encaixar no mercado
E viver da sua arte

Mais de 70% de sua vida
Dedicada a algo
Que não te satisfaz
Que, ao contrário, traz
Estresse, ansiedade, síndromes

Íngremes são os motivos
Pelos quais escolhi o que hoje faço
Teço, costuro, bordo, vendo, crio
E sinto a felicidade traço a traço

Ainda me preocupa a questão
Da sobrevivência básica
Mas o esforço e a paixão
Me fazem seguir
E os obstáculos
Que ontem me pareciam intransponíveis
Hoje e amanhã cairão ao chão.