Hoje não
Tô sem cabeça
Amanhã talvez terei
E assim se vão os dias
Os anos, as décadas
Tempo nunca se tem
A inspiração é engolida
Pela obrigação
Pela dura lida
Postergo o prazer
O trabalho carrega a culpa
Do "no pain no gain"
Da produtividade absoluta
E já não ouço Caetano
Já não leio Fernando Pessoa
E não gosto dessa pessoa
Sem tempo, exaurida
Entra ano, sai ano