terça-feira, 25 de julho de 2017

O inevitável abrir de portas

O que realmente importa?
O que te move?
O mundo gira
O tempo não para
E você?

Que bom seria
Saber o que o futuro te reserva
Para extirpar a daninha erva
E ver florescer o jardim mais belo

Impossível se agarrar ao ar
À plêiade quase infinita de desfechos
Vai vai vai... não vou
Conservo essências, descarto apetrechos

Sinto o peso do incerto
Sei que o incômodo é geral
Para uns menos traumático
Para outros, visceral

Caminho outro não há senão seguir
Fingindo se importar
Sorrindo, dispersos, a continuar

No pesado fardo de existir 

domingo, 7 de maio de 2017

Maria Alguém

Ah! Quem dera eu ser
Maria Alguém
Talvez teria o seu olhar

Sua atenção
E não seu desdém
A indiferença não teria lugar

Mas não posso cobrar
Aquilo que eu mesma
Nunca soube dar

Desconcentrei
Criei desfechos mil
E você que nem chegou
Já partiu

Deixou-me num canto
Atirou-me ao chão
Errou o meu nome
Com ou sem intenção

Já não me pergunto
Por qual razão
Mudo de assunto
Não há culpa ou perdão

O tempo dilui
Todo sentimento

E meu foco
Que já foi o passado
Que já foi o futuro

Hoje é o PRESENTE MOMENTO

domingo, 2 de abril de 2017

À risca

Quis aparecer
Mas sumi ao me esconder
Fingi não me importar
Te ignorei
Foi duro me calar
Mas calei

Quis justificar
Meu pesar em antiga dor
O tempo dilatou
E empaquei num mesmo andor           

Não há paz
Em não se arriscar
Só medo de perder
Sem nem jogar

Já não sei por onde andar
Que o tempo traga alento
Pra tudo passar
E eu vou....

Tudo aquilo que fiz pra você
Você não fez metade pra mim
Tudo aquilo que fui pra você

Você não foi metade pra mim

sábado, 24 de dezembro de 2016

Risco preciso



“[...] Viver é risco preciso
Verbo transitivo estranho [...]”
(Itamar Assumpção)

Entrecortando o cenário
Entra aquele, o imaginário
Que te faz pensar: será?

E nessa dúvida metódica
Tudo é incerto, nada sobra
Se eu sei, não sei, sei lá

O terreno movediço
Não sei se real ou se postiço
Só nos resta enfrentar

Dar uma chance
Se permitir
Cair de boca
Ou só cair

E como Vinícius já dizia:

Sair de dentro de si

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Texto de meu saudoso avô Jaime

Ode à minha amada


Zoraide,
        
         Assim que te vi pela primeira vez, você ainda era uma criança e pensei cá comigo: Ali está a mulher da minha vida, minha eterna companheira.

         Vejo como num sonho que de outra existência já conhecia esta que seria a mãe dos meus filhos. Filhos estes que eu já amava antes mesmo de nascerem, tidos com essa mulher incrível que me permitiu realizar um grande sonho: o de ser um jovem pai.

         Dez de abril de 1964: data em que completaria 21 anos, casei-me contigo e essa decisão foi, sem dúvidas, o meu maior acerto. Tenho consciência de que não lhe dei a vida que merecia. Às vezes nossa juventude nos leva a cometer erros, momento em que deixamos o céu por ser escuro e caminhamos ao inferno a procura de luz.

         Porém hoje, amada, vejo que nada seria sem tua presença e apoio a cada momento. És o único espelho que quando estou triste olho e me vejo sorrindo. Só tenho a agradecer a Deus, por ter me dado esse presente que, entre tantos outros, foi um dos melhores que Dele já recebi.

                                                                           Do seu admirador eterno,

                                                                                  Jaime Resende Magalhães

sábado, 1 de outubro de 2016

ESPELHO


De mim já não tenho mais que metade
Vivo em busca do que nunca fui
Nem me reconheço na identidade
Que idade foi essa em que me perdi?

Ou me encontrei?
No alento de um abraço vazio
Ou num sorridente olhar
No horizonte que me trouxe o frio
E levou o aconchego daquele lugar

Mas eu não se devo ir
Nem ao menos se sei chegar
Tenho aos pés os passos
Todos meus espaços
Vagos a espera de ocupar

Um lugar que sempre foi meu
Aquilo que habita em mim
E do âmago a força surge
Brilha, brota, intensa, revolta
Resoluta
Firme
Diferente

E pelos traços e trejeitos
Noto que já sou uma versão

De mim

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Error 707

Tudo guardado
Eu acumulo
Vou ao subsolo
E num rompante... pulo

A superfície é densa
O ar me impregna
O assimétrico cansa
E o belo estagna

Incrédula estou
Não sou
Não quero ser
Ainda há o que esperar
Ainda resta o meu querer

Em um loop
Que não quero infinito
Silencio meu grito

Passos tímidos
É o que tenho a oferecer
(Pouco a pouco)
Vou mudando meu andar

Dirimindo meu sofrer