sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Procura-se

Agora nada
Depois, não se sabe
O que inspira
O que pode virar
Poesia

Viro a mesa
Viro o copo
Viracopos na escala
E viajo

Em pensamentos
Vagueio pelo abstrato
Imprimo-os em papel paisagem
Outra hora em papel retrato

Tentando captar no ato
Aquela ideia distraída
Aquela que, quando lida,

Faz-nos pensar: “De fato!”.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Com que roupa?


Não sei quando ou como adquiri esse hábito, mas costumo reservar as minhas melhores roupas para eventos especiais. E penso que algumas delas são tão importantes que ainda não saíram do guarda-roupa. Mas quais seriam essas ocasiões? Não sou uma pessoa que sai muito e, quando o faço, não vou a nenhum baile real.

Exagero assim, porque é esta a importância que dou às minhas roupas novas. Espero um evento esplendoroso, grandioso (ousaria até dizer TOP) para usá-las. E nessa espera perco a oportunidade de me sentir bem usando o que eu realmente gostaria. Às vezes uma tarde com amigos de faculdade, que há muito tempo você não vê, seja uma dessas ocasiões. A primeira visita à avó do seu namorado, uma saída rápida para tomar sorvete...

Essa reflexão me veio hoje, no momento em que me peguei repreendendo meu irmão por vestir a roupa com a qual o presenteei no Natal.

- Você vai sair? Vai fazer algo especial?

- Não

-Então por que não guarda essa roupa para um evento importante?

- Vou usá-la muitas vezes, porque adorei o presente.

E depois de alguma insistência minha nesse assunto, ele resolveu trocar de roupa.

Quando voltou, me desculpei.


E isso me fez pensar que quem faz o momento ser importante é você. E se gostar de alguma roupa, use-a sempre que puder. Com ela, você informará ao mundo (e a você mesmo) que não há nada mais especial do que o agora. 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Mudaram as estações: tudo mudou

Deixando pra depois
Nem lembro o que deixei
E o que me vem é só o nada
A vontade deletada
A ânsia anestesiada
- “De quê?”
 Eu já nem sei

Vejo ao meu redor
Sucesso, conquistas, vitórias
Virtualmente me contam suas glórias
Alcançando seus desejos

E passo a tela abatida
Lembrando-se da minha lida
Curvilínea, sem forma, esmaecida
Do querer só se vê um lampejo

Mas a ele me agarro e pelejo
“Cada qual tem seu tempo” – recordo
Não mais me desespero, espero

E, no romper de cada dia, acordo

domingo, 19 de novembro de 2017

Inspirar é preciso


Minha dor é não saber
Nem mesmo o que vou escrever
É perceber que certeza não há
E querer se agarrar ao ar

Trepido frente ao perigo
E um temor me persegue:
de  que a máxima: “quem persiste, consegue”
para mim não faça sentido

Persistir em quê? Qual o meu desejo?
Objeto indireto e obscuro
Não sei ao certo como o procuro
Sei que desvio, porém pelejo

Encontrá-lo é minha meta
O resto é mero meio
De sustentar a minha busca
Muito mais torta do que reta

Mas nesse meio tempo agoniante
Para amenizar a minha ansiedade
Encontro na criação um instante
De descoberta, plena liberdade.

Que me acalente o chegar da idade.

sábado, 21 de outubro de 2017

No que você está pensando?


Tantas são as palavras
Até mesmo neologismos há
Mas nada tem a me dizer

Seria isso um indício
De desinteresse
Ou um suplício
Do meu bem querer?

Nesta escolha, dois lados:
Evita-se, assim, o sofrimento
Do corte ardido do verbo
Porém, expande-se o pensamento
A imaginação exacerbo

E nesse guardar de expressões
Sinto-me num filme mudo
Ao fundo, belas canções

Como enredo, o nada, o tudo

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Fear of the fear

Bloqueio
Paro e penso
E paro
...

É o medo
Que me toma
Que se agiganta
E me diminui

Faz-me parecer incapaz
Torna aerada minha construção concreta
Induz-me a erro na questão (que sei) correta
Vem sorrateiro retirar-me a paz

O melhor a ser feito
É dividi-lo em partes
É confrontá-lo em pequenas porções
Que de tão ínfimas
Parecerão inofensivas

Apesar de tal conselho
Parecer-me sábio e sensato
Segui-lo para mim não é tão simples

Não me é algo inato

terça-feira, 25 de julho de 2017

O inevitável abrir de portas

O que realmente importa?
O que te move?
O mundo gira
O tempo não para
E você?

Que bom seria
Saber o que o futuro te reserva
Para extirpar a daninha erva
E ver florescer o jardim mais belo

Impossível se agarrar ao ar
À plêiade quase infinita de desfechos
Vai vai vai... não vou
Conservo essências, descarto apetrechos

Sinto o peso do incerto
Sei que o incômodo é geral
Para uns menos traumático
Para outros, visceral

Caminho outro não há senão seguir
Fingindo se importar
Sorrindo, dispersos, a continuar

No pesado fardo de existir